Chegou a hora
de falar de um dos pedaços mais lindos da Itália (e do mundo)! A região da Campania, cuja capital é Nápoles,
e que engloba também o trecho de litoral intitulado Costa Amalfitana (Amalfi
Coast, ou
Costiera Amalfitana, para
os íntimos!), faixa litorânea rochosa que inicia-se em Sorrento e segue até
Salermo, passando por pequenos vilarejos super charmosos encrustados nas
rochas, como Positano e Amalfi. Próximo dali fica o Vesúvio – o vulcão – e as
cidades vizinhas, inclusive as ruínas de Pompéia e Herculano.
Vou repassar a vocês nosso roteiro, e algumas dicas de alterações que vimos serem interessantes!
Saímos de Roma
em direção a Nápoles via trem rápido. Escolhemos a companhia Italotreno, que tinha acabado de ser inaugurada, e estava com umas promoções ótimas. Porém, a companhia
mais famosa de trens da Itália é a Trenitália, que possui tanto trens rápidos,
que fazem o trecho Roma – Nápoles em até uma hora, como trens mais lentos, que
podem fazer o mesmo trecho em duas horas ou mais. Quando for fazer sua pesquisa,
atente para a duração da viagem. Às vezes vale a pena pagar mais barato e
aumentar o tempo de viagem, mas se você conseguir comprar a passagem com uma
antecedência boa, como foi nosso caso, os trens rápidos podem estar com quase o
mesmo preço dos demais!
Mas, voltando
à Italotreno, caímos em uma primeira pegadinha: todos os trens da Trenitália
que vão em direção à Nápoles saem da estação de Termini, maaaas os trens da
Italotreno saem de outra estação (no nosso caso, foi a estação Tiburtina)...
Como a companhia só estava em operação a dois meses, não havia muitos avisos
nesse sentido, caímos nesse equívoco, e quaaase perdemos o nosso trem! Mas,
nada como um taxista maluco e muita correria para salvar o dia! Entramos no
trem no último minuto e partimos em direção a Nápoles!
A viagem é bem
rápida e agradável. Os trens da Italotreno são novos e confortáveis, tem
serviço de Wi-fi, e há espaço suficiente para
malas.
Em Nápoles,
como sabíamos que chegaríamos na Estação Central, e de lá partiríamos para o
restante da viagem, escolhemos um hotel que fica exatamente em frente à
estação, para evitar a necessidade de deslocamento com as malas. Existem vários
hotéis na proximidade. O que escolhemos foi o Starhotels Terminus.
O que posso
dizer a respeito do hotel e da região é: a impressão inicial não foi das
melhores, pelo fato de a Praça Garibaldi (que fica em frente à estação) estar
totalmente fechada para obras no período, o que deixava um ambiente meio
“pesado”.
Sobre o hotel
em si, vimos algumas opiniões negativas no Booking.com, mas ao chegarmos
encontramos um simpático atendente na recepção, que quando viu que nós
estávamos em lua de mel, ficou repetindo várias vezes que nos levaria para um
“nice room”! Chegando no tal quarto, tenho que concordar, era muito bom mesmo.
Amplo, cama boa, poltronas, até um pequeno “closet” tinha. Mas levando em conta
a alegria do atendente e as opiniões negativas que vimos, desconfio que o tal
quarto era uma exceção no hotel! Fora isso, o café da manhã era ótimo, o
Hall muito bonito e o pessoal muito atencioso. Inclusive conseguimos deixar uma
mala guardada por lá por 3 dias, enquanto fazíamos o passeio pela Costa
Amalfitana, sem custo algum!
O "nice room" do Starhotels Terminus!
Chegamos na
cidade por volta das 11h da manhã, e já partimos para conhecer alguns destinos,
pois no dia seguinte já iríamos seguir viagem. Em nossas pesquisas vimos que
Nápoles não era um destino muito aclamado pelos turistas, inclusive muitos
indicam pular a cidade do roteiro... Realmente, não é um destino tão turístico
como os demais que conhecemos na Itália. Nápoles parece mais uma cidade real,
com todos os problemas de uma. A estética não é das melhores, há sujeira nas
ruas, e muitas obras. Em alguns lugares você se sente um pouco inseguro,
principalmente pela fama da cidade na ocorrência de pequenos furtos. Mas não
vimos nada de errado nesse sentido.
Em nosso
passeio fomos ao Museu Arqueológico, onde estão os maiores tesouros encontrados
nas redondezas, inclusive peças encontradas na cidade de Pompéia, que foi
destruída pela erupção do Vesúvio. Achei muito interessante, vale o passeio!
Após,
passeamos por algumas praças e conhecemos o bairro “quartieri spagnoli”, super colorido e de arquitetura interessante.
Ali você se sente realmente em Nápoles! Mas atenção: é um bairro bem popular,
com pessoas simples, roupas penduradas entre as ruas, etc. No entanto, há uma avenida grande com várias lojas, uma pena que era um
domingo, e muitos lugares estavam fechados.
Rua lateral do Quartieri Spagnoli
Infelizmente não tivemos tempo de conhecer
outros lugares recomendados, como os Castelos (Nuovo e do Ovo) e outros museus.
Talvez se tivéssemos chegado mais cedo na cidade, seria suficiente para ver
tudo. Sinceramente, não recomendo mais de um dia e uma noite em Nápoles. Se
quiser ver tudo, pegue o primeiro trem de Roma, chegue mais cedo, faça um
passeio completo, e à noite vá em alguma pizzaria famosa!
Como nossa
prioridade era o que estava por vir, partimos no dia seguinte cedo, de trem
local, rumo a Sorrento. Aqui não estamos falando de trem de super-velocidade,
nem cheio de regalias. É uma linha de trem metropolitana, a “Circumvezuviana”,
com trens bem velhos e apertados, que param a cada 15 minutos e num entra e sai
danado de gente. Se for fazer este trecho de trem, evite levar muita bagagem.
Como nós voltaríamos à Nápoles para pegar um vôo, nós resolvemos deixar uma das
malas no próprio hotel, e levamos apenas a outra, menor, e uma mochila. Ainda
assim ficou um pouco apertado...
No meio do
caminho entre Nápoles e Sorrento, fica o sítio arqueológico da cidade de
Pompéia, que nós fazíamos questão de conhecer. Então, descemos do trem, fomos
até a entrada do parque, onde existe um porta volumes (detalhe: há uma pequena
caminhada e alguns degraus até lá), e iniciamos o passeio. Já era quase meio
dia e como o local é formado praticamente de pedras, sem sombra nenhuma,
enfrentamos um calorzinho básico. Mas, com nossas garrafinhas de água a postos
e depois de um pit stop sagrado para almoçar numa lanchonete com ar condicionado
(ufa!), conseguimos continuar o passeio e vimos a cidade inteira. Achei muito
interessante mesmo, vale a pena todo o sufoco.
Pra quem não conhece, a cidade de Pompéia foi destruída pela erupção do Vulcão Vesúvio, no ano de 79 DC. As cinzas provocadas pela erupção atingiram a cidade rapidamente, matando todos os seus moradores. Estas cinzas foram também responsáveis pela conservação de muitos corpos no local, assim como a estrutura da cidade, por todos estes anos.
Chegando às ruínas da cidade de Pompéia
Alguns corpos que foram encontrados no local, após a erupção do vulcão, ainda conservados
O Anfiteatro de Pompéia
Vista panorâmica da cidade com o Vesúvio ao fundo
Depois de um
sorvetinho delícia na saída, voltamos à estação e continuamos o caminho até Sorrento,
onde chegamos no fim da tarde. Vale ressaltar aqui que há outra forma de chegar a Sorrento saindo de Nápoles, que não pela Circumvesuviana. Na alta estação existe um serviço de
Ferry que liga as cidades, saindo de um dos Portos de Nápoles (a cidade tem
dois portos, vale confirmar o correto pela Internet na época da viagem para
evitar problemas). Assim você evita a viagem nada agradável de trem, mas por
outro lado, perde a linda vista do Vesúvio, e a possibilidade do pit stop em
Pompéia...
Em Sorrento, novamente,
escolhemos um hotel que ficava relativamente próximo da estação, e como agora estávamos com
bem menos bagagem, foi tranqüilo chegar até ele. Ele fica na encosta de uma
grande formação rochosa, à beira-mar. O engraçado é que, ao chegar no hotel, em
vez de subir escadas, você desce! Os quartos ficam meio que encaixados no meio
da pedra, e a vista é sensacional! É, chegamos na Costiera Amalfitana!
Vista do nosso quarto para o mar Tirreno e o Vesúvio
Vista da varanda para a encosta de Sorrento
O Hotel se
chama “Grand Hotel Europa Palace”. Foi um dos melhores da viagem! Quarto gi-gan-te, duas (!) varandas, cada uma com uma vista magnífica! Nunca tínhamos ficado em um hotel tão bom, então ficamos meio bobos! rss! Há um elevador que desce até o nível do mar,
onde há uma piscina e um píer, com algumas cadeiras de praia, que dá acesso ao
mar. Uma coisa que é bem rara de se encontrar nessa região é aquilo que
chamamos de “praia”. Areia quase não existe. Quando há uma faixa entre a pedra e o
mar, geralmente é formada de pedrinhas. Mas o mais comum em Sorrento é a
construção destes pequenos piers de madeira, com uma escadinha que dá acesso à
água.
Olha só os quartos do hotel no meio da pedra!
Café da manhã mais lindo do mundo!
Sorrento é uma
cidade pequena, mas tem um centrinho com muitos restaurantes, cafés e lojinhas.
Se estiver precisando comprar alguma coisa, compre logo, pois este é um dos
últimos locais com uma certa “civilização” no caminho da Costiera! À noite conseguimos dar um passeio pelo centrinho e jantamos em um restaurante lindo, com uma trilha sonora impecável. Lembro que tocou inclusive a música que escolhi para entrar na igreja no nosso casamento, momento mágico reviver isso!
Restaurante em Sorrento (L'Abate)
No próximo
post falarei de Capri e do passeio de carro que fizemos pela Costa, e algumas
dicas do que pretendo mudar neste roteiro para uma próxima viagem!
Por: Marcela Silva Bezerra
Marcadores: campania, Itália, nápoles, sorrento